13 de maio de 2013

novos prazeres #1

voltar ao silêncio do blog.

o facebook tem muito ruído...

9 de maio de 2013

entre todos os tempos

deambular pelos registos deste blog, passear por anos passados, por momentos revividos. voltar a sentir o que se sentiu, reler o que foi dito, acenar que sim com a cabeça, que valeu a pena, que tudo valeu a pena, que a alma nunca foi pequena.

descobrir que a vida te guiou num sentido único, com desvios à direita, e à esquerda, mas que te orientou num percurso exato, construtivo, repleto de sensações que, sendo únicas, foram para sempre; e que as levarás contigo, para onde fores, quando fores...

entre todos os tempos, sou.

8 de maio de 2013

not all those who wonder are lost

não somos nós que trilhamos o caminho, é  caminho que nos trilha a nós.


28 de abril de 2013

unlike, do not share it

                                                                 



                                                            adoro o silêncio do blog

23 de abril de 2013






                                                quero provar-te

18 de abril de 2013

A THOUSAND KISSES DEEP


Listen or download That's What I Heard You Say for free on Prostopleer

Leonard Cohen ou como as palavras podem ser sensuais

17 de abril de 2013

12 de abril de 2013

porque é giro copiar a letra duma musica e fingir que é nossa...às vezes



ignore everybody else
we're alone now
so show me why you're strong
be the girl you love


so show where you fail
wait
so show me why you're strong

ignore everybody else

we're alone now
away




show me where you fail







I think Blogger killed facebook(her)

9 de abril de 2013

elevator music - try yours

as seen @ pirii



http://inudge.net/#

Eugénio de Andrade, porque...


Corpo Habitado

Corpo num horizonte de água,
corpo aberto
à lenta embriaguez dos dedos,
corpo defendido
pelo fulgor das maçãs,
rendido de colina em colina,
corpo amorosamente humedecido
pelo sol dócil da língua.

Corpo com gosto a erva rasa
de secreto jardim,
corpo onde entro em casa,
corpo onde me deito
para sugar o silêncio,
ouvir
o rumor das espigas,
respirar
a doçura escuríssima das silvas.

Corpo de mil bocas,
e todas fulvas de alegria,
todas para sorver,
todas para morder até que um grito
irrompa das entranhas,
e suba às torres,
e suplique um punhal.
Corpo para entregar às lágrimas.
Corpo para morrer.

Corpo para beber até ao fim -
meu oceano breve
e branco,
minha secreta embarcação,
meu vento favorável,
minha vária, sempre incerta
navegação.

Eugéno de Andrade, porque me apetece

Deixa a mão
caminhar
perder o alento
até onde se não respira.
Deixa a mão
errar
sobre a cintura
apenas conivente
com nácar da língua.
Só um grito desde o chão
pode fulminá-la.
A morte
não é um segredo
não é em nós um jardim de areia.
De noite
no silêncio baço dos espelhos
um homem
pode trazer a morte pela mão.
Vou ensinar-te como se reconhece
repara
é ainda um rapaz
não acaba de crescer
nos ombros
a luz
desatada
a fulva
lucidez dos flancos.
A boca sobre a boca nevava.

dead Hearts

7 de abril de 2013

re-viver

aquela canção fala-me. canta o que fui. embala-me, carrega-me para o mar, e engole-me...

aquele peso foi-me lavantado...carrega-me para o mar, engole-me...





...e conforta-me.

28 de março de 2013

não os sei, e sei-os bem

escrevinhar o momento. é das coisas mais dificeis, ouvir o que a alma nos diz e colocar de imediato em palavras escritas, em palavras vistas.

a conversa com o Eu é rápida, antevem-se as respostas, concordam-se com as evidências. foi-se. esqueceu-se o que foi agora mesmo ouvido, lá dentro e baixinho.

...não fui a tempo de as anotar.

tenho restos de conversas soltas, um aqui e ali de bocados de pensamentos (que boiam lentos...). era colá-los a todos e ver o que dali saíria - amálgamas de gargalhadas, lágrimas e gritos...uma mixórdia sem nexo.

gostava de me poder ouvir em silêncio... um dia. e anotar tudo e de um tudo, para quando for velhinha reler e perceber se por aqui vivi, ou por aqui andei...

17 de março de 2013

Francisca


Foram 15 anos.

Não se escrevem obituários para animais. Não é costume, não é hábito. Não é normal. Escrevem-se para humanos, para familiares, para amigos e conhecidos, para amores nunca mais esquecidos.

Escreve-se pela saudade, escreve-se pela falta, pelo desgosto e pelo consolo de ver lido o que a dor consome cá dentro. Encontra-se conforto na partilha daquela emoção que achamos só nossa, sem igual. Porque só nós sofremos. A dor é egoísta.

Eu quero escrever pela minha amiga, que é uma gata, que foi uma constante na minha vida. A única constante. E baralho-me nos tempos verbais, porque foi, e já não é mais. Porque é, nas memórias que andarão sempre comigo.

A Francisca morreu. O cancro, e a velhice que a enfraqueceu, roubaram da minha vida a minha companheira de 15 anos. Conheceu-me as tristezas, as alegrias, os bons e os maus momentos, e com a fidelidade de um cão, lambia-me as lágrimas e ronronava-me baixinho aos ouvidos. Viu nascer o meu filho, e foi guardiã dos seus sonos. Cheirava a pó de talco, caminhava com confiança, tinha mau feitio, mas doce para quem gostava. O meu filho chamava-a de irmã, porque eu lhe dizia que ela era a minha mais velha.

Veio comigo de Lisboa para a insularidade, de ilha em ilha, foi e regressou comigo. Habituou-se às mudanças, porque me tinha por perto, e eu sentia-me segura, porque ela era a minha referência de vida independente.

Ontem foi descansar. Cansada do cancro que a derrotou, fui encontrar a Francisca à chuva, isolada. Agachada, e de olhar baço, deixou-me pegá-la e aceitou o colo  - ela não era de meiguices, nem de ronhas melosas. Encostou o focinho ao meu rosto e lambeu-me as lágrimas. Ficámos sentadas as duas, abraçadas. Ela sabia, e eu também, que tinha chegado a hora de dizermos adeus.

Acompanhei-a até ao fim, e enquanto o coraçãozito dela ia parando. E depois mais nada.

Dizem que é a decisão mais correta, o mais humano, de terminar a dor, de dar descanso. É também a mais dificil, porque a dor é egoista.

A Francisca era uma gata, mas era também a minha melhor amiga.

4 de fevereiro de 2013