ENTRE OS HOMENS DAS CAVERNAS E O PROJECTO HUMANO EXISTEM UNS SERES INTERMÉDIOS QUE SOMOS PRECISAMENTE NÓS.
30 de outubro de 2011
29 de outubro de 2011
s/titulo
De dedos estendidos em cima do teclado, tento achar as palavras certas para impressionar quem nunca isto irá ler, mas que em hipótese remota poderia isto chegar a uma narrativa póstuma de uma mulher só.
Talvez pela continuidade, a solidão tenha sido a amiga que há mais tempo trago comigo. Em todos os espaços vazios estava lá ela para preencher com um bocado de nada, de mais vazio, mas do barulhento, cheio e carregado dos gritos das emoções mudas, as que não apanham cor. Em todos os momentos em que me calava comigo mesma, vinha ela lampeirinha com um megafone em punho, e gritava-me ao ouvido: estás-te a ouvir? Esta que sou eu, és tu.
A puta.
Reli uma coisa que em tempos escrevi, num destes momentos que me via acompanhada por esta que era eu, onde dizia que a solidão é o espaço entre dois pingos de chuva, e mesmo esses caem aos pares. Achava-me eu iluminada pelo dom da eloquência, uma Woolf dos tempos modernos, que incompreendida pelos demais, se refugiava nas horas lentas da noite a escrever conjuntos de palavras para formarem frases, e essas frases, o barulho do meu coração. E assim me deixava ir, acompanhada pela outra que era eu, a muda, a calada, a dos espaços de dentro, iluminada pela treva visível do Pessoa.
A outra envelheceu, e com ela, eu também. Caminhámos as duas, lado a lado, ora cantando eu mais alto, ora berrando ela mais silenciosamente. Mas sempre as duas.
Antes, como agora, eu existo onde os outros não estão.
…estás-te a ouvir? Esta que sou eu, serás sempre tu.
não luz, mas sim treva visível
«A
música, o luar e os sonhos são as minhas armas mágicas. Mas por música não deve
entender-se só aquela que se toca, se não também aquela que fia eternamente por
tocar. Por luar, ainda, não se deve supor que se fala só do que vem da lua e faz
as árvores grandes perfis; há outro luar, que o mesmo sol não exclui, e
obscurece em pleno dia o que as coisas fingem ser. Só os sonhos são sempre o que
são. É o lado de nós em que nascemos e em que somos sempre naturais e nossos.»
«O homem não difere do animal senão em saber que o não é. É a primeira luz, que não é mais que treva visível. É o começo, porque ver a treva é ter a luz dela. É o fim, porque é o saber, pela vista, que se nasceu cego. Assim o animal se torna homem pela ignorância que dele nasce.
Pessoa, Fernando. A Hora do Diabo
«O homem não difere do animal senão em saber que o não é. É a primeira luz, que não é mais que treva visível. É o começo, porque ver a treva é ter a luz dela. É o fim, porque é o saber, pela vista, que se nasceu cego. Assim o animal se torna homem pela ignorância que dele nasce.
Pessoa, Fernando. A Hora do Diabo
27 de outubro de 2011
26 de outubro de 2011
I'm not done
So, I lost my head a while ago
But you seem to have done no better
We set fire in the snow
It aint over Im not done
Some do magic
some do harm
Im holding on holding on
Im holding on to a straw
Who is the Alpha
What is made of cloth
How do you say youre sorry and theres nothing
to be afraid of
Is it dark already
How light is a light
Do you laugh while screaming
Is it cold outside
One thing I know for certain
Im pretty sure
It aint over
Im not done....
But you seem to have done no better
We set fire in the snow
It aint over Im not done
Some do magic
some do harm
Im holding on holding on
Im holding on to a straw
Who is the Alpha
What is made of cloth
How do you say youre sorry and theres nothing
to be afraid of
Is it dark already
How light is a light
Do you laugh while screaming
Is it cold outside
One thing I know for certain
Im pretty sure
It aint over
Im not done....
25 de outubro de 2011
Busi-ness
explicar às crianças de hoje a relação directa entre a compra de um brinquedo e um jantarinho a pão e água é tarefa árdua. os putos desta nova geração nasceram já com a consciência do consumismo e, conseguir que o "não" surta efeito sem a explosão imediata de gritos e apitos é exigir de nós - mães - um exercício de mantras budistas ( om -dá-me paciência - om - não me deixes chegar-lhe a roupa ao pêlo - ommmmm...)
depois de algumas discussões acesas ali para os lados do corredor dos brinquedos do supermercado, lá consegui que a minha criança percebesse que para ter brinquedos era preciso dinheiro, e que para ter dinheiro era preciso trabalhar.
consta que em Novembro sairá o novíssimo jogo dos Invizimals para a PSP. com isto em mente, a minha criança surge hoje com uma ideia que, segundo ele, é "fantástica"! sugeriu-me montar uma barraquinha aqui, mesmo em frente à porta, para que ele "vender castanhas a 1€. coisa barata"...
tendo em conta que a ideia dele é vender a 1€ cada castanha, cheira-me que o negócio vai render. ou não.
22 de outubro de 2011
thank god it's rainning!
e vento!
junta-lhe uma manta, sofá e o comando de televisão na mão e tens a perspectiva de um bom serão. (olha, fiz uma rima!)
consola um friozinho...
junta-lhe uma manta, sofá e o comando de televisão na mão e tens a perspectiva de um bom serão. (olha, fiz uma rima!)
consola um friozinho...
19 de outubro de 2011
mono-login
não existe um limite para aquilo que chamamos amor. por desconhecermos a sua essência, não delineamos limites e vamos por aí fora a acreditar que vale a pena, que tudo vale a pena. o amor é uma utopia, um lugar perfeito, idealizado, mas que nunca foi realmente encontrado num espaço exterior ao nosso próprio espaço pessoal, e no que se estende da nossa própria carne e sangue.
portanto não inventes. ama-te, estima-te, protege-te. que se foda quem não gostar. que se lixe quem não vier contigo para onde queres ir. não vais estar sozinha, vais estar contigo.
diz não ao que não queres.
fuck them all.
portanto não inventes. ama-te, estima-te, protege-te. que se foda quem não gostar. que se lixe quem não vier contigo para onde queres ir. não vais estar sozinha, vais estar contigo.
diz não ao que não queres.
fuck them all.
17 de outubro de 2011
consola um comentário tri-fásico. é como a EDA, mas mais barato
e agora jão não sei onde começavam os comentários, nem qual eram os post, demodes que pronto...
piiri, sê me levante daqui...
piiri, sê me levante daqui...
16 de outubro de 2011
Confy...
não há nada mais agradável do que ronronar deliciosamente debaixo duma manta, no sofá, numa tarde chuvosa de domingo...e ainda apanhar o início de um filme porreiro na tv.
gostoso...
gostoso...
15 de outubro de 2011
a manif indignada
a locutora da RTP informação diz que "apenas 30.000 pessoas se concentram nas escadarias da Assembleia", mas o ecrã da minha televisão mostra uma multidão que preenche a escadaria, a frente da Assembleia, todo o largo de São Bento, e que se estendende pela Caçada da Estrela acima. são aos milhares. muitos milhares.
as cordas de segurança policial vão já em 3, em paralelo, e acabo de ver os ditos a desenrolar as mangas da camisa até ao punho, como quem se prepara para um eventual embate.
a última vez que vi o Largo de São Bento assim foi quando os estudantes se manifestaram, em 1992, e a coisa deu para o torto. muito torto. nessa altura os policias também desenrolaram mangas de camisa.
...
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